Desafios do português no setor educativo

 



Está previsto na nossa Constituição da República Democrática de Timor-Leste, no número 1 do artigo 13, que o português é uma das línguas oficiais além de tétum. Como língua oficial, consideramos que o seu progresso é misterioso, pois ainda se encontram vários obstáculos diários, principalmente na educação.

Desde o ensino básico e secundário, que os educadores transmitem a ciência usando diversas línguas: tétum, português, indonésio e dialetos, isso tudo porque eles não dominam bem o português, embora os manuais estejam escritos em português. Para facilitar a comunicação entre o aluno e docente ou na transmissão do conhecimento, a língua que é mais frequente usada é a tétum, apesar de português ser uma língua científica e culta.

O governo timorense investe imenso, para dar formação contínua (curso intensivo) aos professores timorenses. Nessa formação não há aproveitamento, depois de terminarem o curso, as escolas não usam o português como língua introdutória da ciência. Em casa continuam a falar tétum e as línguas maternas e não estão a obedecer a uma filosofia línguística, “A língua é viva, deve ser praticada, se não praticarmos ela morre.”

Algumas escolas do ensino básico e secundário possuem professores  bem qualificados e competentes em português. Os seus docentes empregam o português na transmissão dos conhecimentos. Quando esses alunos acabam os seus estudos no ensino secundário, estão interessados em candidatar-se à Universidade Nacional Timor Lorosa’e, pois é uma das instituições públicas que possui boa qualidade e promove o português. Às vezes, por não cumprirem alguns requisitos estipulados pela UNTL esses alunos não são selecionados e vão ter que ir se inscrever em universidades privadas em Díli, nas quais a maior parte dos docentes não sabe falar português. E os outros alunos que têm condições financeiras vão continuar os seus estudos do ensino superior no país vizinho, Indonésia. Aquilo que os alunos aprenderam desde o ensino básico e secundário, será tudo em vão. Com quem eles vão praticar os seus conhecimentos prévios em português? Vão falar para quatro paredes?

O nosso governo timorense contrata formadores portugueses para darem a formação em língua portuguesa aos docentes nessas universidades privadas, porém os próprios docentes não têm força de vontade para aproveitá-la, alguns desistem no início e no meio do curso. Foi muito triste, que por duas vezes, fui assistir à cerimónia de graduação na Universidade da Paz e um docente pesquisador apresentou o seu resultado de pesquisa perante todos os convidados presentes em bahasa indonésia, demonstrando que o nosso querido país Timor-Leste ainda mostra sinais de invasão linguística e crise de identidade, mesmo que já esteja consagrado na nossa Constituição da RDTL que Tétum e Português são as línguas oficiais. Se os próprios professores da universidade não sabem se expressarem português, sem dúvida, que os seus alunos também não saberão. Quando os universitários terminarem os seus estudos vão falar indonésio nas instituições públicas? Serão recursos preparados para servir essa pátria?

Na convivência diária, os professores e alunos falam só tétum, bahasa e dialetos, é óbvio que não vão ganhar a fluência linguística, sobretudo no português. Há programas televisivos interessantes em língua indonésia como telenovelas que fazem com que eles percam o desejo de ver os programas televisivos em português.

 

 

Recomendações:       

CAFE (Centro de Aprendizagem e Formação Escolar) é uma escola de excelente qualidade. Essa escola está estabelecida em todos os municípios timorenses, incluindo a Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno (RAEOA). Os professores portugueses que lecionam nessas escolas estão a ser acompanhados pelos docentes timorenses que vão lhes substituir no futuro. Essas escolas servem como modelos de sistema de ensino que outras escolas públicas possam adotar. Proponho que a parte competente, o Ministério da Educação timorense alargue esse CAFE (Centro de Aprendizagem e Formação Escolar) a todos os postos administrativos timorenses.

Quando houver o curso intensivo de língua portuguesa para todos os professores, do ensino básico, secundário e ensino superior, proponho que seja feita uma rigorosa supervisão, a fim de se dedicarem e terem seriedade nesse curso do portguês.

Os docentes e alunos são obrigados a falar português nos recintos escolares.

Nomeie um diretor da escola que seja competente e promotor da língua portuguesa para que faça uma inspeção contínua e rigosa durante o processo de ensino e aprendizagem.

Aumente os programas televisivos interessantes e divertidos em português a fim de atraírem os telespetadores.

 

Escritor: Caetano da Costa Bobo é professor e tradutor jurídico.

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