Aquisição da Fluência Linguística

 


O fulano fala português. Alguém disse que ele é orgulhoso ou anda de parafusos soltos. Refiro que, ao aprender uma língua é preciso pôr em prática essas 4 competências, designadamente competência na produção oral e escrita, competência na compreensão oral e escrita. Quando ele não se habitua a falar, não vai ganhar a fluência linguística e vai ter dificuldade em expressar-se perante as pessoas. Será pior quando a vergonha o invadir. Suará e as pessoas notarão. Perderá a sua auto-estima por não acreditar que é um homem competente para fazer o aperfeiçoamento do seu português.

É isto que está a acontecer em Timor-Leste. Quando a pessoa fala português com alguém, demonstra que quer aprender o português, o mesmo acontece com a pessoa com quem fala. Os dois locutores, nessa situação, são complementares, há uma permuta de conhecimento. Um conhece mais e o outro conhece menos. O fulano que sabe mais aproveita a ocasião para retificar tecnicamente a pessoa com quem está a conversar. Isso irá contribuir para a promoção da língua portuguesa. É necessário saber a forma adequada para corrigir para que o falante não fique desmotivado, pois a maneira de corrigir condiciona a situação.

Quando a pessoa que está apta para falar português nem sequer partilha os seus conhecimentos, é uma mentalidade de invidualismo, sem humanismo. Quer aperfeiçoar o seu português nas questões profissionais, mas ele não vai ganhar fluência linguística se em casa e nos fins de semana  só comunicar em tétum ou em dialeto. É impossível melhorar o seu português. Consegue expressar-se, simplesmente facilitar a sua compreensão com alguém que ele esteja a comunicar, mas no que diz respeito ao cumprimento rigoroso das regras gramaticais não. Exemplo: Ontem eu faço as tarefas que deu. Gramaticalmente, o verbo está mal conjugado, contudo é compreensível, por ter usado o advérbio temporal ontem significa que a ação que já passou. É preciso ter estes promenores em atenção para que o seu português seja perfeito e rigoroso.

O sujeito que tem tendência de não praticar ou partilhar os seus saberes, é aquele cuja caraterística é o individualismo e o orgulho em si próprio. Individualismo porque não quer o outro saiba comunicar em português e seja promovido. Orgulho porque sabe que será considerado como único competente a falar português e será sempre louvado na sociedade. Em suma, gente com essa maneira de pensar faz parte do grupo de capitalismo, sem a sensibilidade humana e o espírito de patriotismo. Quer que o governo continue a fazer o maior investimento, para que ele seja beneficiado financeiramente, contudo ele próprio não deu nenhum contributo, informalmente, para expansão do português por não querer comunicar e partilhar os seus conhecimentos nesta área.

Grande número de timorenses tem o domínio de português, morfológica e semanticamente. Em termos sintáticos, nas organizações da estrutura frásica é que se encontra a dificuldade de expressar, isso devido à carência na prática. Um exemplo simples, os nomes dos alimentos. Tomate, ervilha e repolho. Traduzirmos para tétum, alguns mantêm a sua grafia e a outros vamos mudar só a sua grafia, Tomate, ervilla e repollu. O tétum possui muitos termos emprestados do português e isso é uma vantagem para um aprendente de língua portuguesa. É preciso cumprir com rigor o uso das regras gramaticais. Dominar só o vocabulário e os seus respetivos sentidos é insuficiente. Para se poder adquirir a fluência na língua portuguesa é preciso a sua prática diária.


Autor: Caetano da Costa Bobo

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