Vitória para a Campanha Eleitoral
Timor-Leste é um Estado de Direito Democrático. Portanto, tem multiplicidade de partidos políticos, e cada cidadão tem direito de constituir e participar em partidos políticos, conforme está previsto na nossa Constituição da República Democrática de Timor-Leste, no artigo 46.º, número 2.
Em contexto timorense,
para um partido poder ultrapassar a barreira necessária para assegurar a
representação parlamentar, ou atingir a vitória, precisa de reunir três pontos
indispensáveis. Primeiro, ter uma figura que possua muitos simpatizantes ou
seguidores. Segundo, ter intelectualidade. Terceiro, ter capacidade financeira.
Relativamente ao
primeiro ponto, ultimamente os políticos têm-se aproximado de figuras com o
apoio das massas populares, isto é, com muitos seguidores. Mesmo que essas
figuras não tenham tirado cursos de nível elevado, a sua popularidade é
suficiente para permitir ultrapassar a acima referida barreira, e contribuir
para formar o Governo. As figuras que têm o apoio das massas estão
habitualmente ligadas a organizações de artes marciais e rituais que existem em
Timor-Leste, porque essas organizações têm uma massa de apoio firme. No
entanto, tais figuras exigem garantias financeiras ou materiais para si
próprias, quando o partido que apoiam fizer parte da governação no futuro. Tal
como ocorreu em eleições anteriores, um partido X foi apoiado
por alguns líderes de arte ritual. Sem esse apoio, seria impossível eleger o
número de deputados necessários para contribuir para a formação do Governo.
Ainda bem que, depois da reativação das atividades de artes marciais, o Governo
e as próprias organizações de artes marciais estipularam rigorosas regras para
que essas organizações não sejam desviadas para os interesses dos seus líderes,
ou para a atividade partidária. Essas regras têm sido especialmente implementadas
em períodos da campanha eleitoral; se não as cumprissem, os líderes e membros das
organizações em causa seriam castigados ou sancionados. Este ponto da
popularidade é essencial, pois a maior parte da sociedade timorense ainda tem a
mentalidade de assegurar ou depositar a confiança numa figura que tenha influência,
designadamente as figuras que lutaram durante o tempo da resistência. Isso
acontece porque a sociedade timorense tem na sua mente que as figuras ligadas à
resistência são líderes humildes e conhecem o sofrimento do seu povo, que
experienciaram durante o tempo da resistência. Por isso, a sociedade timorense
prefere uma figura que tenha influência em termos nacionais e internacionais;
isto é, uma figura que possua uma capacidade de consolidar a unidade nacional e
tenha aptidão para assegurar relações diplomáticas com outros países e grandes
potências, para poder assegurar o bem-estar de todo o povo timorense.
O segundo ponto é
ter intelectualidade. Este ponto também é essencial: um partido precisa de ter
profissionais competentes; isto é, quadros qualificados em diferentes áreas,
como Educação, Saúde, Engenharia, Agricultura, Economia, entre outros. Porque tanto
na fundação como no exercício das atividades do partido (designadamente atividades
de socialização), os cidadãos têm interesse e curiosidade de saber quem são, e
como estão enquadrados os recursos humanos do partido em causa. Os cidadãos não
querem que os seus votos sejam em vão. Querem contribuir para eleger
profissionais que possam representá-los e, no futuro, possam responder às suas
necessidades. Os timorenses que vivem nas áreas remotas também estão
informados; não querem ser enganados e conhecem bem as figuras timorenses com
competência.
Por fim, o
terceiro ponto é relativo à capacidade financeira. A mobilização do apoio das
massas, a aquisição dos materiais partidários, logística, entre outros, não é
gratuita. Requer que se gastar dinheiro. Nesse ponto, um partido não pode ter
um líder avarento, ou ganancioso. Se não estiver disposto a abrir a mão, esse
líder não será seguido. Para além disso, nós timorenses somos pessoas
sensíveis. Sensíveis, neste caso, a quem fere os nossos sentimentos. Os
timorenses preferem as pessoas amáveis, simples e humildes. Culturalmente, gostam
de um líder que se sente com eles numa esteira a mastigar areca e betel. Se os
timorenses encontrarem um líder com estas características, esse líder nunca
será afastado por eles. Eles guardam logo nas suas mentes que quando essa
pessoa governar o país vai-nos acarinhar e solucionar as nossas aspirações. Uma
figura como Kay Rala Xanana Gusmão, que é conhecido como Avô
Nana. A maior parte do povo timorense considera-o um líder carismático, que
está sempre ao lado do seu povo, e vai ser difícil o seu partido ser derrotado.
Em eleições anteriores, foi fundado um partido Y, cujo líder foi
uma pessoa que tirou um curso de nível alto, mas que apenas serviu anteriores
governos em funções de assessoria em matéria financeira. Neste contexto,
digamos que os três pontos acima referidos são complementares. Mesmo que o
líder de um partido tenha o grau de Doutoramento, isso não garante que o
partido será o vencedor na eleição. Contudo, é preciso que esse partido saiba
usar os recursos que tem para influenciar algumas pessoas com capacidade para
atrair as massas populares. Até porque nos dias que correm o povo não gosta de
ser obrigado a votar no Partido X ou Y, pelo que o sentido do seu voto vem naturalmente,
segundo a norma democrática.
Um dos
principais desafios que o nosso querido país está a enfrentar ao longo da
campanha eleitoral são as vinganças e insultos entre os partidos políticos.
Apenas um ou dois partidos falam no bem-estar do povo timorense. Os outros
parecem apenas preocupados com o próprio interesse, fazem campanhas em que não
usam o raciocínio lógico, criam falsas informações para ganhar a simpatia
pública. Gostam de retroceder ao passado, em vez de discutir os programas
políticos que beneficiarão este querido povo. Um político tem o seu papel crucial
para assegurar a unidade nacional. Se se mantiver a falar sobre o passado, se
não olhar para frente, como haverá futuro para Timor-Leste? No entanto, isso
não significa que não se fale de corrupção. A corrupção é inimiga de todos nós,
e temos o dever moral e patriótico de combatê-la.
O povo timorense,
por vezes, pode ser falso. Digo-o porque um timorense pode já ter escolhido em definitivo
o partido em que vai votar. Porém, se vier outro partido, a aliciá-lo, e
oferecer camisolas e comida no tempo da campanha, esse timorense recebe, mas no
dia da eleição não vai votar nesse partido, mas sim naquele em que já tinha
decidido votar. Assim como aconteceu na RAEOA (Região Administrativa Especial de Oe-Cusse Ambeno), provavelmente vai acontecer
também noutros municípios timorenses.
Como timorense, eu
gostaria de aconselhar os meus compatriotas a votar num partido que achem
competente, e que tenha uma clara visão e programa para criar condições dignas e
bem-estar para todos nós, como beneficiários dos seus projetos políticos.
Aproveito esta
ocasião para recomendar aos partidos políticos que, durante a campanha, apresentem
os vossos programas e a visão com que pretendem beneficiar o povo de
Timor-Leste. Pois governar não é fácil, requer uma séria responsabilidade para
que o público vos continue a depositar confiança, e requer que realizem as
promessas apresentadas durante a campanha. Têm dito que, “Governar é
responsabilidade, não oportunidade”. Se realizarem todos os vossos
compromissos, então o povo sentirá os benefícios dos vossos programas, e os
vossos partidos serão heróis nesta era da Independência!
Caetano da Costa Bobo
Formador de
Língua Portuguesa, Tradutor e Revisor Linguístico.
Endereço
Eletrónico: dacostabobo.caetano9@gmail.com

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